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RECURSOS TECNOLÓGICOS NO PROCESSO DE ENSINO

Uma solução virtual para um problema real.

Nunca antes na história da educação brasileira se teve a disposição tantos recursos tecnológicos como nos dias atuais, constatação um tanto obvia visto que tais recursos não existiam. No entanto, o que se observa é que a escola pública que hoje tem deixado muito a desejar no que diz respeito à qualidade do ensino, já foi, nesse passado de giz e quadro negro, uma escola de qualidade. Percebe-se assim um desencontro entre os recursos disponíveis e os resultados alcançados. Seria correto então acreditar que um maior investimento em tecnologia resolveria o problema da educação pública no Brasil? As opiniões a respeito divergem em muito. Para o professor da USP e da Fipecafi, Edgard Cornachione, defensor do uso da tecnologia nos processos de aprendizagem, não há dúvidas sobre a eficácia dos recursos digitais na educação. “Não só acredito como existem evidências empíricas disso. Está na literatura sobre o assunto, nas pesquisas. O efeito é visível especialmente no ensino superior”. Diante de tal afirmação podemos atribuir o bom resultado alcançado na universidade à maturidade daqueles que estão lidando com a tecnologia, pessoas adultas e conscientes do que buscam. Mas e com os pequenos? Para Felipe Barrera-Osorio, consultor do banco mundial, “Ainda faltam pesquisas para comprovar a eficácia”. Avaliando um projeto do governo colombiano que distribuiu 114 mil computadores entre 6 mil escolas, constatou que não houve evolução na aprendizagem dos alunos.

Portanto, acreditar que a tecnologia vai resolver o problema da educação é esperar um milagre virtual. Mas a escola pode sim tirar proveito de todos os recursos disponíveis e tomá-los como aliados. A internet, por exemplo, é uma fonte de pesquisa riquíssima. O que não se deve fazer é, no intuito de tornar a escola atraente para essa nova geração de alunos, transformá-la num “playground” repleto de atrativos tecnológicos. Deste modo a tecnologia ao invés de aliada passa a concorrente do professor, pois a atenção do aluno vai está no artefato e não no ensino. É preciso objetividade no uso dos recursos.

A mesma internet citada como rica fonte de pesquisa pode ser muito prejudicial ao ensino quando mal utilizada. Se antes para realizar uma pesquisa era preciso ir à biblioteca, ler vários livros, analisar e sintetizar as informações para enfim chegar a um resultado; o que se ver frequentemente hoje são alunos buscando na rede respostas prontas, parando muitas vezes na primeira pagina que abrem, não realizando uma busca de opiniões diversas para formar uma própria, e sim, se apropriando de uma resposta que tomam como correta e absoluta; o que é nocivo à formação de cidadãos dotados de consciências critica. Principal função da escola. O material humano ainda é o mais importante e o que pode fazer a diferença no processo de ensino. Uma escola pode muito bem existir sem computadores e até mesmo sem um prédio, mas não sem alunos e professores. Os filósofos gregos não tinham ao seu dispor nenhuma tecnologia que auxiliasse no ensino, porém, contavam com discípulos desejosos de conhecimento.

É isso que precisa ser resgatado antes de introduzir na escola qualquer nova tecnologia. Essa vontade de aprender, tão ausente nos alunos, deve vir de casa; e aqui entra o papel da família, de fundamental importância na construção de um ensino de qualidade. Mas não é tão simples visto que muitas famílias não tem a estrutura necessária para formar as bases educacionais de uma criança. É preciso então reestruturar antes a família para depois reestruturar a escola e o ensino. Percebe-se que a raiz do problema é bem mais profunda do que aparenta ser, e para um problema real é preciso soluções reais. “não se trata apenas de dinamizar a aula, mas de uma revisão de valores. A escola deve questionar-se sobre qual o seu real papel, os pais o porquê de enviar o filho à escola e o aluno o porquê de ir à escola”. Do contrario, encher a escola de computadores vai tornar a aula apenas mais divertida, não resultando em nenhuma melhoria no aprendizado.

Apontando soluções para a prática de ensino. 

O reconhecimento de que o processo educacional enfrenta fortes dificuldades, é o pré-requisito fundamental para que possamos buscar melhorias para a prática de ensino na escola. Concordamos aqui com o que nos diz gadotti, 2001, “há muito ainda a fazer para que a escola ofereça uma educação capaz de formar consciências críticas e transformadoras”. Para que se possam apontar soluções é preciso antes identificar as causas do fracasso no processo de ensino aprendizagem, o que não é tarefa fácil, pois envolve toda a estrutura de ensino, desde a formação dos profissionais de educação até a prática em sala de aula. Acreditamos que o principal motivo do insucesso no ensino é a desmotivação por parte dos alunos. Entendemos ser este o primeiro ponto a ser corrigido para que se desperte nos alunos o desejo de aprender, fazendo-os perceber o estudo como uma atividade prazerosa e não uma obrigação. Para tal mudança é necessário o engajamento da família na escola, pois não se trata apenas de dinamizar a aula, mas de uma revisão de valores. A escola deve questionar-se sobre qual o seu real papel, os pais o porquê de enviar o filho à escola e o aluno o porquê de ir à escola.

É mister a reflexão constante acerca da prática de ensino, tendo em vista o aperfeiçoamento do trabalho docente no dia-a-dia. Nesta perspectiva é indispensável o envolvimento de todos que formam a comunidade escolar, para que juntos possam elaborar uma proposta de trabalho que contemple as metas estabelecidas pelo projeto político pedagógico da escola, mas que principalmente esteja voltada para as necessidades dos alunos despertando neste a curiosidade da busca pelo conhecimento. Os desafios encontrados pelo docente são muitos e em diferentes níveis, isto evidencia a necessidade de um profissional atuante preocupado em contribuir para articulação dos diversos segmentos da unidade escolar para deste modo ampliar o interesse coletivo para o desenvolvimento das ações educativas e assim conseguir melhorias em seus resultados. Para que este profissional possa existir não é escusado que o processo de capacitação deste comece ainda na universidade, que deixa muito a desejar na preparação de seus futuros professores para enfrentar as diferentes situações que ocorrem em sala de aula, de maneira que a desmotivação ocorre por parte deste no primeiro impacto ao se deparar com tais situações.

A escola, no entanto, bem como os órgãos que a rege, também deve proporcionar ao docente, programas de capacitação.  Pois o processo de ensino aprendizagem exige a constante revisão nos procedimentos efetuados, de maneira a manter sempre a atualização dos seus professores quanto às transformações que ocorrem a cada dia em sala de aula. As situações aqui descritas foram observadas no ensino fundamental e médio. São, portanto o resultado de todo um processo mal feito e tentar corrigir a esta altura torna-se muito difícil. A solução está, portanto na reformulação do sistema como um todo, principalmente nas séries iniciais para que estas sejam capazes de formar as bases sólidas de uma boa educação.

Sobre Raimundo Didi

Colunista do Jornal do Araripe

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